Ser Fluminense é entender esporte como bom gosto. É ser leal sem ser boboca e ser limpo sem ser ingênuo.
Ser Fluminense é aplicar o senso estético à vida e
misturar as cores de modo certo, dosar a largura do grená, a
profundidade do verde com as planuras do branco.
Ser Fluminense é saber pensar ao lado de sentir e
emocionar-se com dignidade e discrição. É guardar modéstia, a disfarçar
decisão, vontade e determinação. É calar o orgulho sem o perder. É
reconhecer a qualidade alheia, aprimorando-se até suplantá-la.
Ser Fluminense não é ser melhor, mas ser certo. Não é
vencer a qualquer preço mas vencer-se primeiro para ser vitorioso
depois. É não perder a capacidade de admirar e de (se) colocar metas
sempre mais altas, aprimorando-se na busca! E jamais perder a esperança
até o minuto final.
Ser Fluminense é gostar de talento, honradez,
equilíbrio, limpeza, poesia, trabalho, paz, construção, justiça,
criatividade, coragem serena e serenidade decidida.
Ser Fluminense é rejeitar abuso, humilhação, manha,
soslaio, sorrateiros, desleais, temerosos, pretensão, soberba, tocaia,
solércia, arrogância, suborno ou hipocrisia. É pelejar, tentar, ousar,
crescer, descobrir, viver, saber, vislumbrar, ter curiosidade e
construir.
Ser Fluminense é unir caráter com decisão, sentimento
com ação, razão com justiça, vontade com sonho, percepção com fé,
agudeza com profundidade, alegria com ser, fazer com construir, esperar
com obter. É ter os olhos limpos, sem despeito, e claro como a
esperança.
Ser Fluminense, enfim, é descobrir o melhor de cada
um, para reparti-lo com os demais e saber a cada dia, amanhecer melhor,
feliz pelo milagre da vida como prodígio de compreensão e trabalho, para
construir o mundo de todos e de cada um, mundo no qual tremulará a
bandeira tricolor.
Paulo Alberto Moretzsohn Monteiro de Barros (Artur da Távola)