8 de agosto de 2011
Tati Bernardi
"Ele é um super-homem quando a gente precisa e uma criancinha fofa quando
a gente também precisa. Meu Deus, agora faço o maior dos esforços do
ano: por que cacete deixei de gostar desse cara? Chocolatinhos, vinho,
som ambiente, escurinhos. Ele pára o mundo todo, se ajoelha no sofá
deixando as mãos no meu colo: “Você não sabe a saudade que eu senti todo
esse tempo.” Seus olhos se enchem de lágrima, a música se torna
instrumental matando qualquer outra palavra, a cidade não respira, o
tempo não existe, a solidão é coisa de gente que mora muito longe dali,
minha mente aquieta todos os monstros, as mulheres lindas nas capas das
revistas são empilhadas descartavelmente e viram nada, a poluição vira
oxigênio puro e cor-de-rosa, o outro homem que é dono sem merecer do meu
corpo magoado explode no ar deixando apenas estrelas para iluminar meu
recomeço, as dúvidas todas do que fazer pelos próximos mil anos se
simplificam porque eu só desejo viver aquele momento, sim, sim, sim, eu
quero zerar tudo de antes e de depois e amar esse homem agora, como
antes, como nunca. Por que não? "